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Anel Corneano

Anel Corneano
O Anel Corneano é um dispositivo feito de um material acrílico especial que há décadas vem sendo utilizado em cirurgias oculares (é o mesmo material com o qual se faz grande parte das lentes intra-ocularres para catarata).
Trata-se de uma estrutura transparente e bastante fina (medida de sua espessura é feita em micras!) em formato anelar dividido em duas partes. Não é facilmente visível a "olho nú" quando implantado na córnea.



Visualização de um Anel Corneano implantado na córnea

Nem todos os portadores de ceratocone recebem o anel inteiro. Dependendo das características de cada caso, pode ser realizado o implante de segmentos menores do anel.

Quando o Anel é implantado na córnea, esta fica encurtada. Como conseqüência, ela tem sua curvatura reduzida (a altura do "cone" reduz), ficando mais esticada e mais regular. Esse efeito é responsável pela melhoria obtida na acuidade visual, especialmente por reduzir o astigmatismo irregular. Pelo mesmo motivo, também fica mais tolerável o uso de lentes de contato no pós-operatório, sejam gelatinosas ou rígidas.



À esquerda: pré-operatório. À direita: mostra o aplanamento da córnea obtido após o implante do Anel Corneano

Também é importante sua função, como dispositivo rígido que é, de manter a estrutura da córnea, estabilizando ou lentificando a evolução do ceratocone.
O implante do Anel Corneano pode ser útil nos casos:
1- Não obtenção de boa acuidade visual, pois os óculos não a melhoram significativamente e as lentes de contato são incômodas;
2- Progressão rápida do ceratocone. Algumas vezes a cirurgia deve ser antecipada para evitar que o ceratocone evolua para um quadro muito avançado. Sabemos que os anéis corneanos são bem mais eficientes nos casos iniciais e moderados. Quando o grau evolutivo do ceratone é avançado, perde-se a oportunidade de se utilizar os Anéis Corneanos, ficando o transplante de córnea como a única opção terapêutica possível.
Nos casos avançados, surgem alterações estruturais na córnea, como estrias e opacificações, que a tornam cada vez mais incapaz de exercer funções ópticas.
Por outro lado, os Anéis Corneanos não são indicados quando o ceratocone não mostra progressão e é possível obter boa visão com óculos e/ou lentes de contato. Também não têm indicação os casos muito avançados (para estes resta o transplante de córnea).
A cirurgia dura aproximadamente 15 minutos e é feita com anestesia tópica (apenas colírios), utilizando-se um microscópico.
O procedimento consiste na confecção de um túnel na córnea, por onde são introduzidos os segmentos do Anel.
Não é necessária internação.

Poderemos considerar que foi obtido sucesso com a cirurgia se a acuidade visual com óculos mostrar melhora significativa ou se passar a ser possível a utilização de lentes de contato com tolerância. Estas lentes podem ser gelatinosas, rígidas ou a associação das duas (uma lente gelatinosa embaixo e uma rígida por cima). Alguns pacientes conseguem um bom resultado usando lentes gelatinosa para a correção da miopia associada com óculos para a correção do astigmatismo. É muito difícil prever a quantidade de miopia ou astigmatismo que restará após a cirurgia, mas uma redução de ambos é o que ocorre na maioria dos casos. A prescrição de uma correção óptica (óculos ou lentes de contato) somente será tentada após um período médio de 3 meses, pois antes ocorre uma flutuação muito grande da refração (o grau varia muito), o que é percebido pelas flutuações da visão, especialmente nos primeiros dias após a cirurgia. A inflamação gerada pelo trauma cirúrgico produz um edema corneano importante no primeiro dia de pós-operatório, o que acaba por regularizar ainda mais a córnea e contribuir, ainda que de maneira temporária, na melhoria da visão. Não é rara a percepção de que a visão piorou entre o primeiro dia de pós-operatório e os subseqüentes.

É importante frisar que a cirurgia de implante de Anéis Corneanos NÃO tem finalidade refrativa, ou seja, NÃO tem o objetivo de fazer o paciente ficar livre de óculos ou lentes de contato.
Existem cirurgias com finalidade refrativa que podem ser indicadas após a cirurgia do Anel para a redução da miopia e do astigmatismo.
Após um período pós-operatório médio de 3 meses (em alguns casos temos que esperar 6 ou mais meses), será feito um exame para se prescrever um auxílio óptico para correção refracional. Durante este período, o paciente contará somente com a visão do olho contra-lateral. Os óculos anteriores à cirurgia podem continuar sendo utilizados até que seja possível uma nova prescrição.

Não há restrição ao uso de lentes de contato no olho contra-lateral (não operado) durante o período de recuperação.
O regresso a trabalhos burocráticos poderá ocorrer dentro de poucos dias, desde que se evite ambientes com poeira, mofo, vapores, produtos voláteis ou biológicos potencialmente contaminados.
Não deve ser utilizado computador em excesso na primeira semana, especialmente em ambientes ressecados (freqüentes quando se usa ar-condicionado). Por ser um dispositivo rígido, ele poderá tornar mais firme a estrutura da córnea, evitando ou lentificando a evolução do quadro para um transplante de córnea.

Apesar de raro, se não for obtida nenhuma vantagem com o implante do Anel Corneano, o paciente poderá se submetido a uma segunda cirurgia para substituir, implantar novo segmento ou modificar o posicionamento do Anel. Também poderá ser indicado o transplante de córnea. Nesse caso, não é necessária a remoção do Anel, uma vez ele estará contido no fragmento de córnea que será substituído.
Como todo procedimento cirúrgico, o implante de Anel Corneano não fica isento de complicações cirúrgicas.
Felizmente, trata-se de uma técnica reajustável e reversível, de forma que qualquer modificação no posicionamento adequado dos segmentos de Anel poderá ser corrigida com uma nova reintervenção.
Complicações infecciosas são raras e podem ser evitadas com o esmero na aplicação dos colírios antibióticos e higiene adequada. Mesmo assim, se ocorrer infecção, ela geralmente fica limitada à córnea, facilitando a ação dos antibióticos tópicos.

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